116, 115 e o cartão: o que fazer num acidente fora de Luanda
Já existe um guia para um acidente em Luanda: piscas, triângulo, não mover o ferido, ligar o 116. Este texto é para o outro mapa - Benguela, Huambo, Lubango, Malanje, a EN que liga municípios onde o próximo cruzamento não tem nome de avenida.
O tempo até chegar ajuda é maior. A rede de telemóvel é mais caprichosa. O Cartão SOS não encurta o quilómetro; evita que o paramédico chegue a uma pessoa sem nome, sem sangue e sem família.
Quem ligar, e por esta ordem
116 - INEMA. Emergência médica pré-hospitalar. É o número a memorizar para feridos.
115 - Bombeiros. Incêndio, extração, pessoas presas nas ferragens, ou quando o 116 não atende e há feridos.
111 - CISP. Ponte para polícia e outros corpos, se precisar de mais do que uma corporação no local.
113 - Polícia Nacional. Quando há vítimas, veículos a bloquear a via, ou disputa no local. Não substitui o pedido de ambulância.
Se só puder gravar um número no telemóvel, grave o 116. Se puder gravar dois, acrescente o 115. O Cartão SOS não é um terceiro número de emergência: é a ficha que quem atende o ferido consegue ler.
O que dizer quando não há «em frente ao Maxi»
O operador precisa de três coisas, nesta ordem:
Onde. Estrada, sentido (de que cidade para qual), marco quilométrico se existir, um marco visível (igreja, posto, cruzamento com terra batida, ponte). «A meio de nenhures» não despacha ninguém.
O quê. Colisão, despiste, capotamento, moto contra carro. Uma frase chega.
Quantas pessoas e o estado. Quantos feridos, se alguém não responde, se há fogo ou combustível no chão.
Não invente o diagnóstico. «Não fala» e «sangra muito» são mais úteis do que nomes de lesões.
A regra que não muda fora da capital
Não mova um ferido grave só para «levá-lo ao hospital mais rápido», a menos que o veículo esteja a arder ou a via o vá atropelar de novo. Mover alguém com lesão na coluna sem equipamento pode piorar o dano. Sinalize, ligue, mantenha a pessoa acordada se estiver consciente, e espere quem tem maca e colo.
Este artigo não ensina reanimação: isso está no guia de primeiros socorros. Aqui o objectivo é não perder os minutos no sítio errado - o telefone e a ficha.
Quando a rede cai, o verso do cartão conta
A primeira leitura do QR precisa de dados móveis ou Wi-Fi para abrir a ficha. Fora de Luanda isso falha. Prepare o plano B antes da viagem:
No verso do cartão impresso, à mão: grupo sanguíneo, alergia grave se existir, um telefone de família. Letra grande.
O mesmo QR no porta-documentos do carro, no capacete se for moto, e na carteira. O kit de viagem cobre o resto do material (colete, triângulo, água).
Não dependa só do ecrã de bloqueio. Sem bateria, não há QR no telemóvel.
Quando a rede voltar, a ficha completa - e, se os alertas estiverem ligados, o aviso à família com o sítio da leitura - continua a valer. O verso do papel é o que o cidadão que parou consegue usar sem internet.
O cartão não substitui o socorro
Criar a ficha em casa, em três minutos, não é um seguro de evacuação nem um acordo com um hospital provincial. É o mínimo que o condutor controla: nome, sangue, a quem ligar. O resto é o 116, o 115, e o tempo da estrada.
Se a viagem é com idosos ou crianças, cada um leva o próprio cartão. Uma conta familiar gere vários perfis; o QR de cada pessoa é que tem de estar no sítio certo. Para o dia-a-dia na via, em Luanda, o sítio certo no capacete está descrito em motociclistas.
Criar o Cartão SOS antes de sair - e testar a leitura com a câmara, ainda com rede.
Escrito por
Cartão SOS