Capacete e carteira: onde colar o Cartão SOS se anda de moto em Luanda
Quem anda de moto em Luanda já conhece o cenário: Marginal, Cacuaco, Viana, a saída para o Zango. Uma queda é barulho, gente à volta e um telemóvel que, na melhor das hipóteses, pede a palavra-passe. Na pior, o ecrã já não liga.
O hub para motociclistas explica porque a ficha existe. Este guia é o passo seguinte: onde colar o QR para um desconhecido o encontrar em menos de um minuto, sem desapertar o capacete por completo e sem vasculhar a mochila.
O telemóvel não é o plano A
O ecrã de bloqueio com o QR é um extra útil em casa ou no escritório. Na via, falha por três razões comuns: o aparelho sai do bolso, o vidro parte, ou quem socorre não consegue desbloquear. O Cartão SOS foi feito para se ler com a câmara — qualquer câmara — desde que o código esteja visível.
Não substitui o 116 (INEMA) nem o 115 (Bombeiros). Complementa o socorro com o grupo sanguíneo, as alergias e o telefone da família que já preencheu em casa.
Três sítios que o socorrista encontra
1. Exterior do capacete
O autocolante no lado esquerdo ou na nuca fica à vista com o condutor ainda no chão. Evite a pala e a viseira: riscam e o reflexo atrapalha a leitura. Evite também o interior da calota — ninguém vai desmontar o capacete à procura de um código.
Se chover ou o capacete levar pó da estrada, limpe o autocolante como limpa a viseira. Um QR ilegível é um cartão que não existe.
2. Carteira, junto da carta de condução
Quem abre a jaqueta à procura de documentos encontra a carta. O cartão impresso deve ir no mesmo sítio, não no bolso de trás das calças. Imprima em tamanho de cartão; não precisa do BI completo no papel que fica à vista.
3. Bolso interior da jaqueta
Uma segunda via no forro, ao peito, cobre o dia em que o capacete sai da cabeça e a carteira fica na mala da moto. Três cópias não são excesso: são o mesmo QR, a mesma ficha. Se mudar o número da família, actualiza-se na conta — não precisa de reimprimir para o telefone mudar.
O que não fazer
- Deixar o QR só no ecrã de bloqueio.
- Colar o código por baixo da fita do queixo ou debaixo de autocolantes de marca que tapam os quadrados.
- Imprimir o número completo do BI, morada ou dados de banco no cartão visível. Isso não ajuda o paramédico e expõe a pessoa.
- Assumir que «o INEMA já tem uma app». Qualquer telemóvel com câmara lê o código. Não é uma aplicação exclusiva das corporações.
O que deve estar na ficha, não no autocolante
No perfil, o essencial para o primeiro minuto: nome, grupo sanguíneo, alergias (sobretudo a antibióticos e anti-inflamatórios), uma nota curta se houver doença relevante para o socorro, e um ou dois contactos 24h. O restante pode ficar atrás de PIN, para o hospital — não para quem para na via.
Se os alertas de leitura estiverem ligados, a família pode receber um aviso com a localização de quem leu o cartão. Isso não dispensa ligar o 116: o aviso chega a quem escolheu, o socorro chega pelo número de emergência.
Teste em cinco minutos, em casa
- Crie a ficha ou abra a que já tem.
- Imprima o QR (ou use o autocolante).
- Cole-o no capacete ou meta o cartão na carteira.
- Peça a outra pessoa para abrir a câmara do telemóvel, sem a sua conta, e ler o código.
- Confirme que o nome, o sangue e o telefone estão certos — e que o que não deve ser público continua protegido.
O guia permanente, com FAQ, está em Cartão SOS no capacete. Para o que levar na ficha, veja o cartão de emergência e o QR médico.
Criar o meu Cartão SOS — gratuito para o utente. Depois é colar, esta semana, não «quando houver tempo».
Escrito por
Cartão SOS